Um breve texto sobre a reciprocidade

“A adolescência é tachada como a fase da loucura, irresponsabilidade e excesso de sentimentos. Eu vejo loucura, vejo irresponsabilidade mas não vejo sentimento algum. Todo mundo seguiu a lei do desapego, entrou na vibe do #amoreciproco e talvez por isso esteja todo mundo tão vazio. As pessoas querem amor recíproco, mas vivem sob a ordem do “pegue mas não se apegue”, o que você receberá de volta será nada mais que um sms dizendo “foi legal, quando a gente se pega de novo?”. As pessoas matam as outras todos os dias, competem pra ver quem está menos apaixonado, depois reclamam de solidão. Todo mundo quer estampar na camisa que é independente, que não precisa de ninguém pra ser feliz, que não precisa de amor, abraço, carinho ou afeto. Mas todo o mundo reclama que o mundo tá de cabeça pra baixo e que o amor não é mais prioridade. A adolescência é tachada como a fase da loucura, irresponsabilidade e excesso de sentimentos. Eu vejo indiferença, solidão e frieza mas não vejo amor algum. Ora, se reciprocidade é receber mutuamente, porque você dá gelo e espera fogo? Porque entrega teu corpo tão facilmente esperando receber em troca um coração de bandeja? Não se irrite comigo, faça do seu corpo o que bem entender, mas entenda, como você quer ser entendido? Porque valoriza tanto as curvas da cintura e das pernas, mas é indiferente as curvas da fantasia ? À oscilação de pensamento? Se importam mais com um like do quê com um bom dia. Está na hora de ser constante, tornar sua caixa de mágoas um porão antigo, tirar a poeira da sua mente e abrir passagem pro que realmente importa. Já dizia a rainha da melancolia: “ Só vale a pena viver, se alguém está amando você.”

Keerollen C.S. Oliveira – Pseudo Alguém 18/10/2016

Devaneios Escritos ¹

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As pessoas são estranhas, estranhamente iguais por serem diferentes, entende?  Mas o melhor é quando se tem a oportunidade de compartilhar diferenças de maneira natural e equiparar as qualidades, tornando dois em apenas um. Mas e quando são duas bagunças? Duas tampas, duas panelas, dois anéis? Quando não se encaixam perfeitamente, como acontece em alguns casos? Comigo, por exemplo, aconteceu. O fato é que se sofrem ais, por que ou os dois estão vazios ou estão completos de mais, a ponto de não precisarem do outro, a ponto de deixar de lado e deixar tudo esfriar. Um dos problemas de pessoas assim, é que elas não foram feitas para serem presas, mas também não enfrentam completamente a liberdade, é uma verdadeira droga. E então, o que acontece? Fica? Vai? Volta? Dá umas voltas em minha volta e depois vai? Segura mãos, solta mãos; Beija bocas, difama pela boca; Ouve declarações, ignora murmúrios; Se apaixonam por olhos e gesto pra depois se forçar a esquecê-los e o que um dia significaram. O processo é muitas vezes lento e dolorido, parecido com um parto, a diferença é que você não está dando luz à uma vida, está tirando. Idas e vindas, começos e términos, o meio termo entre o “eu te amo” e o “eu te odeio” é algo tão comum agora. Com o passar do tempo, todos se cansam dessa brincadeira, se machucam numa jogada e vão correndo para o colo da mamãe. Lágrimas, incontáveis lágrimas já marcaram nossos rostos, mas os motivos delas marcam até nossa alma. Tanto caos, tanto “vai e vem” “fica ou não fica” abusa, dói, mata. Não quero morrer lentamente, não vou morrer lentamente. O que tinha para sorrir, sorri. O que tinha para chorar, chorei. O que tinha para amar, amei. Agora somos dois corpos, apenas mais dois corpos transitando entre outros corpos, outras histórias, outras metáforas de tampa e panela. Vamos nos ignorar, fingir que o outro não existe, vamos nos odiar porque já esgotamos todo o amor que tínhamos. Eu poderia dizer que agora só restam lembranças,, mas elas doem de mais, então prefiro dizer que não sobrou nada. Que agora me reinventei, deletei da memória certos momentos. Momentos que jamais se repetirão, novos momentos que jamais existirão. Algumas palavras não devem ser ditas, e das piores você disse todas. Acredito que seja nossa última ida, não me espere mais ao dobrar a esquina, não estarei lá. Finalmente achei algo capaz de me amar. Eu.

Keerollen C.S. Oliveira – Pseudo Alguém 15/04/2016