Pecado?

Texto autoral; Título original: Céu e inferno, pecado e santidade; Apenas uma linha de raciocínio, respeite.

Algumas pessoas estão muito preocupadas no que deveriam não fazer para não irem ao inferno, quando deveriam se preocupar em o quê fazer para irem ao céu. Pois se você tem amor, logo amará o teu inimigo tanto quanto ao teu próximo, pois ambos são julgados pelas leis de Deus e não pelas suas, ou seja, se você se preocupa em agir de acordo com as regras, logo não estará propicio a transgredir, como se vivesse marginalizado. A verdadeira questão não é ir para o céu ou ir para o inferno, pois você não é o comandante da tripulação, logo não decide o destino. É certo que, se guarda os mandamentos de forma a não ser reprovado nas exortações, logo lhe parece conveniente o céu. Mas não somos destinados a nenhum destes dois por vontades próprias, mas sim pela graça e misericórdia de Deus. Se não houvesse a graça, logo estaríamos todos condenados, pois não há um único homem livre de culpa. É pela graça que vivemos, mas é pelo esclarecimento da lei que somos guiados, somos como criminosos que tem agora a chance de redimir-se, portanto nenhum aqui tem uma ficha limpa, mas os crimes são absolvidos e perdoados se nos arrependermos deles e seguirmos os conselhos do juiz.

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É comum que muitos perguntem o porquê de termos uma natureza pecadora, se Deus quer que sejamos santos? Vamos analisar os primórdios pela palavra “santuário”, pois o santuário sempre existiu e sempre existirá, pois este vem de antes da criação e haverá depois do arrebatamento. Quando se pensa em santuário se pensa em santidade, mas aqui vou te mostrar outra perspectiva, a da primeira queda. Muitos relacionam a grande queda com Adão e Eva e a tentadora serpente de Gênesis, mas a grande queda aconteceu na verdade no céu, na qual estava Lúcifer, o querubim mais iluminado e mais próximo de Deus. Este, ao sentir-se digno de subir acima das estrelas de Deus e sentar-se em seu trono ensinou para os humanos o distanciamento de Deus.

Por que Lúcifer fez isso? Ou melhor, porque pôde fazer isso? Não se pode explicar tudo, como diz em Dt 29:29, mas acredito que ali já existia o livre arbítrio, pois um ser de inteligência pode escolher o que fazer, assim ele revelou o ego em seu coração querendo torna-se independente de seu criador. O santuário é o lugar de comunhão entre Deus e nós, e neste primeiro e infinito santuário houve a perversão do mal (o MAL, segundo C.S. Lewis, é a forma pervertida de buscar o BEM e assim subsiste graças ao BEM.) [1]mostrando assim que o mal é um parasita e não um ente original, e por isso originou-se num santuário. Depois houve a criação dos seres humanos, na qual foram colocados sobre nós dons recebidos de nosso criador, como as faculdades de raciocínio e o dom de se reproduzir, e foi posta no meio do Éden (santuário terrestre) uma árvore da ciência do bem e do mal, na qual o primeiro casal tinha o livre arbítrio de decidir saber, ou não, pois se até então não havia ali mal algum, não saberiam o que é o bem ou o que é o próprio mal. Assim, distanciaram-se de Deus como fez Lúcifer.

O santuário é altamente relacionado à salvação, pois nele habitou o pecado, e sem pecado não há do quê ser salvo.  Então não éramos capazes de nos arrepender verdadeiramente, por sermos falhos e como foi dito antes, de natureza pecadora, Jesus veio por ser perfeito e livre de pecados, sendo então o único digno e capaz de pagar nossas dívidas com Deus e aguentar as consequências das nossas perversões.  “Significa que Deus, por assim dizer, coloca um pouco de si mesmo em nós. Empresta-nos um pouco da sua razão e assim nos tornamos capazes de pensar; dá-nos um pouco do seu amor e dessa maneira amamos uns aos outros. Quando ensinamos uma criança a escrever, seguramos-lhe a mão, ajudando-a a desenhar as letras. Ou seja, ela só pode formar as letras porque nós a formamos […] Assim como nosso pensamento só pode ir adiante por ser uma gota tirada do oceano da inteligência divina, assim também nossa tentativa de morrer só dá certo se participarmos da morte de Deus. Porém, só podemos participar dessa morte se ele morrer; e ele só pode morrer se for um homem. É nesse sentido que ele paga nossas dívidas e sofre por nós aquilo que, por sua própria natureza, não precisaria sofrer de modo algum.” [2] E por fim, temos o santuário prometido no fim dos tempos, o céu, neste em que as pessoas estando livres do pecado e do mal colocado no mundo desde o inicio da criação, habitarão em paz e em perfeita harmonia com o criador. Por isso, agora vivemos por meio da graça, e temos o poder de escolher crer ou não, segui-lo ou não. Não se trata de ir para o céu ou para o inferno, se trata de voltar para casa, retornar à origem de tudo.

[1] C.S. Lewis em Cristianismo Puro e Simples.

[2] C.S. Lewis em Cristianismo Puro e Simples.

Keerollen C.S. Oliveira

 

 

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